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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Liberdade domiciliar.


Liberdade domiciliar.






E a liberdade acaba por se tornar uma prisão, preenchendo todo o vazio do meu mundo de palavras, dúvidas e questionamentos. Fico aqui, mirando o portal daquele dito mundo que diz me acolher, como uma mãe toma sua cria pelos braços. As cores se perdem, os sons. De pé fico, aqui, esperando um motivo, uma necessidade, para que eu possa passar por esta porta invisível e conquistar todo este universo que fada uma liberdade, mas que, na verdade, me prende de maneira intransigente.
E quando o relógio gira, fazendo com que meu tenho se acabe e que me permita sair de minha prisão livre, eu olho para o portal e me pergunto se alguém vai entrar, mesmo assim. Não sei se alguém virá me buscar, me abraçar e dizer – com o silêncio da emoção – as coisas que necessito ouvir para o bem de meu ego. Certas vezes, admito, crio uma imagem do meu passado, materializando-se em fumaça sobre minha mente, em minha frente, repentinamente. São casos, ocasionais. Na verdade, o que passou pela minha história teve sua importância em seu tempo e serviu de aprendizado para o amadurecimento emocional. O que desejo, verdadeiramente, é uma figura ainda sem rosto, sem digitais. Desejo uma alma que só poderei ver quando a mesma aparecer. Ou então eu corro, pois meu tempo já se extinguiu.
Perambulo por entre os carros, dentro dos túneis da minha visão turva, esperando não ter pressa para chegar ao único lugar em que eu realmente me sinto livre. Minha prisão nada mais tem do que uma janela com grades, uma cortina vermelha e uma escrivaninha. Sobre a mesa, um caderno, um lápis, restos de cervejas e palitos de fósforos. Não há luz mais forte do que a da vela, não há cheiro além o do que o incenso emana. Não há vida em minha prisão. Contudo, impressionantemente, há liberdade. Pois, no fim, com um papel e caneta eu consigo fazer e dizer coisas que eu não conseguiria em minha liberdade no mundo, dito, libertino. Desleixam-se de mim para aproveitar meus momentos livres dentro de minhas palavras, para que possam ver a produção de mais um milagre.E assim vivo, nos avessos do mundo. Sempre esperando àquela que, um dia, chamarei de inspiração. Aguardando para lhe entregar todas as cartas que eu escrevo, cuja destinatária existe, mas ainda não tem nome e tampouco endereço.


Pense o que você quiser. (Y)

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